Um Tour em Johannesburg

JOHANNESBURG (done) Esse meu stop-over em Joburg me deu a oportunidade de conhecer um pouco a cidade. Para isso contratei um tour com a agência African Breeze. O meu guia foi o Ian. Excelente serviço, by the way.

Como o próprio Ian disse, talvez Joburg seja a cidade mais sem graça da África do Sul. Mas é a que tem mais história para contar. Então aqui vai um pouco do que eu aprendi.

Meu tour começou pelo Constituition Hill, uma antiga prisão onde ficavam os presos políticos do regime do Apartheid. Um guia local te conta como os presos políticos do regime eram tratados. Segundo Nelson Mandela, os presos eram tratados como animais. Até nas prisões havia a segregação entre negros e brancos. Devo confessar que achei o ambiente meio pesado.

Depois fui visitar o museu do Apartheid. Para quem visita Joburg é uma parada obrigatória. A história do apartheid está contada em detalhes através de fotos, vídeos e texto. O museu ainda conta com um memorial dedicado ao ex-presidente Nelson Mandela.

Depois do museu fui conhecer Soweto, cidade com cerca de 2 milhões de habitantes que foi criada para abrigar os trabalhadores que eram trazidos para explorar as minas de Joburg. A mineração era e ainda é uma das principais atividades econômicas da Africa do Sul.

A cidade se tornou famosa na época do apartheid por ser um foco de resistência contra a politica de segregação racial. Uma destas manifestações foi violentamente reprimida pela polícia e diversos estudantes foram mortos. Isso aconteceu em 16 de Junho de 76, passando à história como o Massacre de Soweto. Hoje existe um memorial na frente da escola em que um dos estudantes foi morto.

Soweto também é famosa por possuir uma rua com dois moradores ganhadores do prêmios nobel. As casas de Nelson Mandela e Desmond Tutu ficam a poucos metros uma da outra. Outro local que visitei e recebi uma aula de apartheid de um morador local foi a igreja Regina Mundi. A igreja era um dos refúgios dos negros durante o regime. Até hoje é possível ver os buracos de bala nas paredes.

Saindo de Soweto passamos na frente da Orlando Power Station, uma geradora de energia utilizada entre 1964 e 1989. Duas torres gigantes que eram utilizadas para resfriamento (cooling towers)  hoje servem como base para Bungee Jump e outros esportes radicais. A pintura com elementos da Africa deixou as antigas torres muito bonitas. Se tem um troço que eu ainda não tenho coragem para fazer é pular na vazio.

Ian, meu guia Sul-Africano branco me contou a sua visão do apartheid. Segundo ele todo o país estava ciente de que o fim da segregação era necessário e que Nelson Mandela foi um grande presidente. Entretanto, ainda segundo ele, a Africa do Sul só tem a infra-estrutura que tem (o país mais desenvolvido da África) graças ao regime. Basta olhar para os outros países da Africa para ver como seríamos se não tivéssemos tido o regime, argumenta ele. O grande medo de Ian é que o atual governo, e os próximos, não consigam conservar a infra-estrutura atual e muito menos continuar desenvolvendo o país.   Em alguns anos veremos se Ian está certo. O fato é que a coisa não parece muito animadora. A diferença social é bem grande e a taxa de desemprego atual bate nos 25%.

Enfim, esse stop-over acabou sendo muito produtivo. Na lista para a próxima vez ficam Cape Town, que segundo Ian é um espetáculo, e um safari.

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s