Construindo uma Casa (3)

CURITIBA (cinza) Se eu tivesse escrito esse post alguns dias atrás certamente ele seria muito mais ácido e com muito mais palavrões. Mas o simples fato de estar curtindo a casa me fez ver as coisas por um outro ângulo. Mas vamos ao fim da saga.

Depois de ter escolhido a construtora, fizemos uma primeira reunião na qual eu deixei bem claro quanto eu pretendia gastar. Vamos fazer o possível para ficar dentro desse valor, foi o que eu escutei. Assinei um contrato de 12 meses. A construtora disse que fazia em 10 mas colocou 12 para cobrir atrasos com chuva, etc. Fiz questão de incluir uma multa por atraso, porém. Saí de lá tranquilo e certo que tudo sairia dentro do planejado. Ledo engano.

O início da obra é uma maravilha. A casa sobe rápido e você tem a impressão que os caras vão realmente conseguir fazer a casa em 10 meses. Além disso você acha que vai sobrar dinheiro, pois erguer a casa não custa tão caro.

O contrato fechado com a construtora era por administração, ou seja, eu pagava um percentual de tudo que eu gastava na casa. Por isso eu verificava os preços praticados pelos fornecedores. Em um determinado momento encontrei um preço bem melhor para um determinado item. Consegui que o fornecedor da construtora baixasse o preço. A desculpa era que eles tinham os fornecedores de confiança, bla, bla, bla. Se você não ficar de olho, vai pagar mais.

E assim a coisa foi indo. Eu passava toda semana na obra pra ver como a coisa estava caminhando, conversava com o engenheiro, trocava algumas ideias com a arquiteta, pentelhava o mestre de obras, etc..

No final de março, quando faltavam dois meses para acabar o contrato pedi para a construtora um planejamento financeiro até o fim da obra, afinal de contas faltavam apenas dois meses para o fim. Aí me disseram que nosso planejamento inicial tinha ido para o buraco. Como assim, eu não mudei nada no projeto! Pois é, veja bem, o custo do CUB, a crise mundial, a seca no sul, os índios da Amazonia, e por aí vai. E não é que estourou pouco, estourou em cerca de 20%.

tá bom….

Saí de lá puto da vida mas disse que ia dar um jeito de arrumar o dinheiro para não atrasar a obra. Pra fechar o dia, um senhora discussão acalorada com a patroa. Ouvi dizer que construção é um motivo de divórcio. Não duvido.

Dois meses se passaram, o contrato com a construtora tinha acabado, mas não a obra. Voltei na construtora e tive que ouvir mais uma vez que eles tinham errado no planejamento. Porra, não conseguiram fazer um planejamento de DOIS meses. Isso me deixou extremamente frustrado. Ainda faltava dinheiro.

Além da ineficiência no planejamento, o acompanhamento da obra na parte do acabamento deixou muito a desejar. Um certo dia, antes de ir para o aeroporto para uma viagem, resolvemos passar na casa para dar uma olhada nos revestimentos. Para se ter ideia da qualidade do acompanhamento da obra, o revestimento da cozinha estava no banheiro do casal. E eu ia ficar duas semanas fora. Imagina como é que eu viajei.

Nesse ponto eu estava indo na obra duas vezes por dia para me certificar de que não estavam fazendo merda. Ou seja, eu estava fazendo o trabalho que era da construtora. Por esse motivo, quando o contrato acabou comecei a negociar diretamente com o empreiteiro algumas tarefas. O pessoal da construtora não ficou muito feliz, mas não podiam falar muita coisa em face das diversas cagadas.

No fim fiz vista grossa para um monte de coisas, pois senão acho que ainda não tinha me mudado. Acabei recebendo aquela multa por atraso, pois os 12 meses que eram factíveis em 10 acabaram virando 16. Ainda tive que escutar que eu era muito detalhista. Mas como eu disse no início, no fim das contas valeu a pena, mas eu não sei se eu faria tudo novamente.

Algumas coisas que eu aprendi.

  • Esse povo de construção civil tem outra noção de tempo. Uma semana contém de 7 a 30 dias. Depende das condições climáticas.
  • Se a construtora disser que você não precisa se preocupar com nada, é mentira. Você vai esquentar a cabeça.
  • Nunca pague um peão entre segunda e quinta. Ele nunca vem trabalhar no dia seguinte. Por isso faça o pagamento sempre na sexta-feira.
  • Pintor caprichoso é coisa rara. Talvez só o meu pai.
  • Você tem que pensar em tudo. Eles não vão fazer isso por você.
  • Você sempre vai gastar mais do que imagina.
  • Finalmente, não leve a sua mulher na PortoBello. Depois que ela for lá todo o resto vai ser feio. O problema é que lá é tudo mais caro.

 

 

 

 

 

7 thoughts on “Construindo uma Casa (3)

  1. É meu amigo Zé! Excelente relato em 3 partes…Se eu te contar a cagada master que “está” rolando na MINHA OBRA, afe…só num almoço com muita cerva, kkkkk! But: nooooo stress!

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  2. Tua casa ficou show, Luiz. Minha primeira casa eu tb construi, passei exatamente, sem tirar nem por, os mesmos problemas que você. A diferença é que eu não contratei uma empresa, e sim, diretamente pedreiros. Uma coisa eu aprendi: Pedreiro e peão de obra é bicho do capeta…. Independente do stress, parabéns pela conquista

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