Grupo 1X12 para MTB

CURITIBA (molhado) Já que a chuva atrapalhou meu pedal aproveitei pra botar em dia alguns blogs que acompanho, especialmente aqueles sobre ciclismo. Nos blogs de Mountain Bike o assunto dominante é o lançamento do novo grupo da SRAM 1X12.  E nesse mundo polarizado que parecemos viver, os comentários de dividem em dois grupos (coxinhas e petralhas). Uns adoram a ideia outros acham uma merda. Não tem meio termo.

Grupos sem câmbio dianteiro não são nenhuma novidade, já que os modelos 1X11 estão no mercado há um bom tempo. O problema dos grupos 1X11 era a abrangência (range) reduzida. Ou você ficava sem marcha pesada para os trechos planos e descidas ou ficava sem marcha leve para as subidas mais exigentes.

Nesse novo modelo 1X12 esse problema foi resolvido ou pelo menos mitigado. Fiz uma comparação entre o modelo 2X10 (que eu tenho na minha bike) e o novo 1X12. No caso  do meu 2×20 tenho coroas de 22 e 36 dentes na frente e um cassete com 11-36 (11-12-13-15-17-19-22-25-28-32-36). No caso do 1X11 você pode escolher diferentes tamanhos de coroa dianteira (30, 32, 34, 36 e 38) sendo que o cassete traseiro de 12 velocidades tem os seguintes pinhões: 10, 12,14,16,18,21,24,28,32,36,42,50.

Na tabela abaixo eu calculei todas a relações do grupo 2×20 e também as relações do grupo 1X12 com uma coroa de 32 dentes. A tabela está ordenada em ordem decrescente de relação. A relação (Coroa/Pinhão) nada mais é do que o pinhão deve girar enquanto a coroa gira uma vez. Por exemplo, na relação 1,5 (ou 1.5:1), o pinhão gira uma vez e meia enquanto a coroa da uma volta completa.

relacao

Como dá pra perceber o range dos dois grupos é parecido. O 2×20 tem 536% (3,27/0,61*100) enquanto o 1X12 tem 500% (3.20/0.64*100) de range. A vantagem do 2×20 é que ele tem menos gaps entre as relações o que permite manter uma cadência com menor esforço. No caso do 1X12, as maiores diferenças estão nas extremidades do cassete, chegando até 20%.

Screen Shot 2016-03-25 at 1.41.45 PM

 

Por outro lado, minimização dos gaps no grupo 2×20 não é uma coisa trivial. Por exemplo, se você está pedalando na relação 2.12 (36-17) e subir uma marcha (36-19), você mudará para a relação 1.89 e não para a 2.0 (que minimizaria o gap). Para passar da relação  2.12 (36-17) para a 2.0 (22-11) você precisa fazer 5 mudanças de marcha. Na prática ninguém faz isso. Ou seja, a relação que minimiza a distância entre as relações 2.12 e 1.89 existe, mas nessa situação dificilmente é utilizada.

Um jeito de corrigir isso é com o câmbio eletrônico da Shimano. O synchro shift deles deixa você customizar as trocas e aí dá pra garantir que você sempre suba ou desça para a relação mais próxima. Mas isso custa dinheiro, muito dinheiro.

Eu gosto da ideia do 1X12 pela simplicidade. Um cambio a menos pra dar problema e a agilidade que ele deve proporcionar nas trocas de marchas. Mas como todo lançamento, essa novidade ainda custa caro. O pessoal da BikeRadar cita 5 motivos pelos quais esse novo grupo deve vingar. Quanto ao alto custo, eles argumentam que o passado nos mostra que um dia a tecnologia de ponta chega as massas…

 

Advertisements

Rapha Festive 500

CURITIBA (almost there) Esse ano revolvi encarar o Rapha Festive 500 Challenge, que é promovido pela Rapha Cycling Club em parceira com o Strava. O desafio consiste em pedalar 500km entre os dias 24 e 31 de dezembro. De acordo com o Strava, neste quinto ano do desafio, mais de 70.000 ciclistas se inscreveram. Logo eles devem informar a quantidade de pessoas que finalizaram o desafio com um monte de estatísticas. No ano passado cerca de 23% dos inscritos conseguiram fechar os 500km na última semana do ano.

A ideia não é só pedalar os 500km, mas também registar a história dos pedais que podem ser premiadas em diferentes categorias, como por exemplo, melhor video, melhor fotografia, etc. Um dos premiados no ano passado foi esse video do russo Alexander Koltsov. Ele fez os 500km em trajetos casa-trabalho e numa viagem de cerca de 200km entre Moscou e Vladimir. Não sei se o acostamento está coberto pela neve, mas no vídeo da pra perceber que o cara vai disputando espaço com os motoristas russos. Guerreiro! Louco, diria minha esposa.

O cidadão que ganhou a categoria de melhor video fez um percurso de 592km entre Edinburgh e Dunnet Head na Escócia. Em comum com o video anterior, a neve. Mas nesse caso, paisagens maravilhosas e nenhum caminhão na estrada.

Vale a pena também dar uma olhada na galeria de fotos do cidadão que venceu o prêmio de melhor fotografia. Mais neve, é claro.

Diferentemente deles, eu registrei pouca coisa. Só pregos e anzóis que me fisgaram pela estrada. Vou dar uma trabalhada na foto (o prego está um pouco fora de foco) e submeter  para concorrer o prêmio. Afinal, o prego é de respeito!

Prego

Para completar o desafio fiz 5 pedais em Curitiba e região. O mais curto de 72km e o mais longo de 123km. A altimetria acumulada foi de pouco mais de 5.000m. Teve sol, chuva, e vento. Muito vento. Só não teve neve! Quem sabe o ano que vem…

Eu e Arce sob chuva quase todo o trajeto entre Curitiba e Witmarsun

Eu e Arce sob chuva quase todo o trajeto entre Curitiba e Witmarsun

 

Não dá para Elogiar

CURITIBA (dois dias sem chuva!) Esses dias uma colega me pediu recomendação de qual pneu comprar para sua speed. Baseado na minha experiência, não titubiei, e recomendei o Michelin Lithion 2, pneu que o Pedro me recomendou tempos atrás e que tenho usado desde então. Em geral ele aguenta cerca de 4000km. Ou seja, um boa relação custo benefício para um pneu de cerca de US$ 20.

Pois bem, ontem tive que trocar o pneu traseiro que depois de 4500km abriu o bico. Coloquei outro Lithion 2 esperando rodar mais uns 4000km. Saí hoje cedo para um pedal rápido e com apenas 40km rodados a câmara de ar do pneu traseiro explodiu quando eu pedalava a 50km/h na descida voltando do Quebrado (km 49 da BR 277). Se fosse o dianteiro, acho que teria sido pior…

Logo pensei que tinha passado em cima de um prego ou parafuso. Inspecionei o pneu e ele estava intacto, ao menos parecia intacto. Quando desmontei a roda notei o problema. O kevlar que fixa o pneu no aro descolou da borracha e a câmara “vazou”  e explodiu.

Michelin Lithion 2

Montei a roda com a câmara reserva e quando comecei a inflar a lazarenta começou a sair pelo buraco do pneu. Fechei rapidamente o cilindro de CO2 e tirei um pouco, ou melhor, bastante pressão do pneu pra não perder mais uma câmara.  A foto abaixo mostra o pneu com 30 PSI.

Michelin Lithion 2

Fiz os 30km que me restavam pra chegar ao meu destino com míseras 30 libras e desviando de toda e qualquer pedrinha que via no caminho. Pedalar com o pneu vazio é uma bosta!

Agora é botar outro Michelin pra rodar, pois ainda tenho três guardados. Achei que era bom, lembra!

Multando Ciclistas

MONTREAL (watch out) Ciclista em geral é um bicho folgado. Reclama de tudo e de todos mas volta e meia está fazendo suas cagadas. Me incluo nas estatísticas. Um exemplo clássico é o sinal vermelho. Na mente dos ciclistas ele foi feito para os caros e não para bicicleta. Bicicleta pode passar no sinal vermelho, afinal de contas, bicicleta não é carro. Também pode andar na calçada. Bicicleta é pequena e ágil.

Pode o caralho! Foi o que decidiu a policia de Montreal. Se a policia te pegar fazendo cagada nas ruas de Montreal, você vai ganhar uma multa. E eles estão por toda parte centro da cidade. O cidadão abaixo foi parado por duas infrações. Cruzou o sinal vermelho e estava de fone de ouvido (o que é proibido aqui.)

Multa no ciclista

Eu estava esperando pra atravessar a rua quanto a abordagem aconteceu. Fiquei de butuca pra ver o que ia acontecer. O policial foi muito educado. Pediu o documento do ciclista e explicou porque ele foi parado. O ciclista, é claro, de aquela de joão-sem-braço (aqui conhecido como armless-john), mas não colou. Tomou uma multa de CAD$ 40.

É a velha história, na próxima vez vai pensar duas vezes antes furar o sinal. Se a moda pega no Brasil…

26 vs 29

CURITIBA (deep thinking) Esse final de semana completei 500km com a minha MTB 29”, uma Specialized Stumpjumper. Tenho pedalado muito menos do que eu gostaria, mas de qualquer forma fiz alguns pedais bem divertidos. Teve de tudo um pouco, estradão, downhill, single track e lamaçal. Já deu pra ter uma boa impressão da bike. A primeira pergunta que muita gente me fez foi: Valeu a pena trocar a 26 pela 29? Resposta curta. Sim. No regrets.

Note porém, que são duas bikes bem diferentes. A Giant Anthem é uma bike XC (Cross Country) com suspensão de 100mm e mais arrisca, eu diria. Ótima para um estradão e single track sem muito obstáculos. A concorrente dela na Specialized seria a Epic.

giant

Velha 26…

Já a Specialized Stumpjumper é uma All Mountain (ou Trail). É uma bike com uma geometria mais relaxada e com suspensão de curso mais longo (130mm). As rodas maiores junto com a suspensão mais longa dão mais segurança ao passar por cima de obstáculos maiores. Essa sensação de segurança é bem percebida nas descidas.

specialized

… e Nova 29.

Nesses poucos meses usando a 29” tentei verificar duas hipóteses que os “especialistas” espalham pela internet.

  1. Com a 29” você sofre mais na subida. Minha impressão é que você sofre igual. Fiz dois experimentos para verificar essa hipótese. O percurso foi a subida do Morro da Cruz em Colombo/PR, uma trilha com pouco mais de 1km e 200m de subida. A inclinação média é de 14.5%. Meu melhor tempo foi com a 29 e não com a 26, como era de se esperar.
  2. A 29” é melhor pra descer. No mesmo percurso, ainda não consegui bater meu tempo com a 26”. Tá certo que a condição da trilha nas duas últimas vezes estava bem complicada, com muita pedra solta. Então segurei um pouco.

Concordo que os experimentos não tem rigor científico algum. Mas de qualquer forma,  não consegui confirmar nenhuma das hipóteses. Em todo caso, se você está querendo migrar para uma roda maior, a melhor coisa é testar a bike. Vá na loja e faça um teste. É uma coisa muito pessoal. O cidadão que comprou a minha Giant diz que não sai do aro 26 por nada e está contente da vida com a bicicleta.

Deixando de lado essa discussão de tamanho de roda, seguem algumas observações sobre a Stumpjumper:

  • Câmbio de  20 velocidades: Além de fazer um downgrade de 30 para 20 velocidades, mudei de Shimano para SRAM. Levei um tempinho pra se acostumar com o SRAM, mas agora que acostumei, não troco. O conjunto X7/X9 (dianteiro/traseiro) é bem preciso. Quanto as 20 velocidades, só senti falta da relação mais pesada que tinha no conjunto de 30. Viadagem, ok.
  • Suspensão: O sistema CTD (Climb/Trail/Descend) da Fox funciona direitinho. Esse sistema não tem trava, ou seja, ela sempre está funcionando. O mais bacana que não tinha na Giant é o autosag da suspensão do quadro. Basta colocar 300 libras, subir na bike e apertar a válvula. Voilà, a suspensão está calibrada para o seu peso.
  • Freios: Não gosto do Avid Elixir 5 que veio na bike. Funciona direitinho enquanto é novo, mas eu sei que vai dar problema daqui a pouco, assim como o da Giant. Quando der pau, coloco um Shimano SLX ou XT (aquele que tiver em promoção).
  • Pneus: Os pneus originais são da própria Specialized. Na frente um Purgatory Control 29 x 2.3 e atras o Gorund Control 29 x 2.3″. Inicialmente pensei em trocar os pneus e colocar uns mais estreitos (2.1″). Mas depois do primeiro pedal decidi ficar com eles. Tenho usado 35 libras e a sensação é que eles agarram bem nas curvas.
  • Conforto: Ok, esse é um conceito relativo. Depois de uma certa quilometragem acredito que qualquer MTB seja desconfortável. Minha impressão é que em função desta geometria mais relaxada eu demoro mais para sentir desconfortável. Ou seja, uma boa opção para pedais mais longos.

Saraiva, Bugre e Rio Natal

CURITIBA (epic) Eu e o Lyra tinhamos um roteiro engavetado pela serra catarinense já fazia um bom tempo. Depois de algumas tentativas frustradas conseguimos coloca-lo em prática nesse fim de semana. Na realidade o roteiro posto em prática foi diferente do original por sugestão do Mr. Heil, nosso assessor para assuntos catarinenses.  Ele sugeriu a descida pelas estradas Saraiva e Bugre até Corupa e a volta pela estrada do Rio Natal. Abaixo o trajeto percorrido com a altimetria. Como dá pra notar, a ida é um pouco mais longa e a subida da volta é lazarenta. O track está disponível aqui

Descida pela esquerda e subida pela direita

Descida pela esquerda e subida pela direita

Altimetria

Antes de falar do pedal, uma dica de onde ficar se você resolver se aventurar pelas bandas de Campo Alegre/SC. Eu ia ficar no hotel Campo Alegre mas quando resolvi fazer a reserva já estava lotado por causa de um evento na região. Procurando uma alternativa, encontrei a Pousada Casa Antiga. Como o nome diz, a pousada é uma casa antiga que acomoda 27 pessoas. O banheiro é coletivo. O preço (hoje de R$ 180) inclui estadia e quatro refeições, as quais são oferecidas numa grande cozinha ao redor de um imenso fogão a lenha. Excelente qualidade. Se você for passar a noite somente, dá pra negociar o preço.

Pousada Casa Antiga

Pousada Casa Antiga (Coordenadas GPS -26.114462, -49.193963)

A pousada fica a cerca de 15km de Campo Alegre (-26.114462, -49.193963) na zona rural. Não tem sinal de celular, mas eles tem um WiFi que quebra um galho. Dá pra mandar uma mensagem pra mulher dizendo que você chegou!

Voltando ao pedal, tivemos muita sorte com o tempo. Nem muito frio no alto da serra e nem muito calor no pé da serra. Saímos por volta das 8:20h do Hotel Campo Alegre em quatro pedalantes (eu, Fabricio, Arce e Lyra) e encontramos Mr. Heil no meio do caminho.

O roteiro é magnifico. As estradas Saraiva e Bugre são dentro da mata, ou seja, um downhill por um túnel verde. Basta colocar a suspensão no modo ”descend” e curtir a descida. Fiz um video de parte da descida com a VIRB (agora com trilha sonora).

Aproveitamos o embalo e fomos até Corupá para almoçar. Devidamente alimentados, pegamos nosso caminho de volta as 13h e logo estávamos no começo da estrada do Rio Natal, uma subida de uns 25km com alguns trecho de forte inclinação e outros de inclinação lazarenta (cerca de 20%). Mas a beleza do lugar compensa o esforço. Chegamos de volta ao hotel por volta das 17h, com 93 km pedalados e mais de 2000m de altimetria.

Estrada Rio Natal

Estrada Rio Natal – Todos ainda sorrindo!

Parada no Mirante - Foto Instagram Arce)

Parada no Mirante – (Foto Instagram Arce)

A região reserva varios outros tracks a serem explorados. Pra começar, o original que continua engavetado.

Mais algumas fotos do pedal estão aqui.

Batismo 29”

CURITIBA (chuva!) A estreia da nova bike 29” foi digna de aplausos. Fabricio preparou um roteiro caprichado no quintal da casa dele com tudo quanto e tipo de terreno. Estradão, descida, subida pra cacete, single tracks e muito barro! Track disponível aqui.

VIRB Picture

Um pedaço do roteiro incluía a estrada dos 3 Mata-Burros que fiz em 2011. Como ontem choveu muuuito a noite, tinha alguns trechos eram de barro puro. Se é pra estreiar, vamos fazer direito!

VIRB Picture

Fiz um pequeno video com a VIRB, mas tenho que dar uma olhada no sensor de velocidade. Simplesmente não funcionou. Tentei colocar a câmera no suporte do selim, mas hoje era impossível. A lente ficava suja em poucos metros.