Ñuñoa

SANTIAGO (hot and dry) Mais uma semaninha de trabalho em Santiago, dessa vez convidado pelo meu colega José Saavedra para discutir nossas pesquisas em “deep learning”. Hoje fiz uma apresentação para os alunos da ciência da computação da Universidad de Chile sobre reconhecimento de padrões e aprendizagem de máquina e depois José me levou para conhecer o bairro onde ele mora. Trata-se da comuna de ñuñoa (lugar das flores amarelas).

O ponto “turistico” da região é a plaza ñuñoa, onde está o bonito prédio da prefeitura da comuna. Ao redor da praça tem um porção de bares e restaurantes. screen-shot-2016-11-09-at-22-10-37

Mas os mais legais ficam atras do prédio da prefeitura descendo um lance de escadas. O local lembra um pouco o famoso Patio Bela Vista (talvez a maior armadilha para turistas de Santiago). Este porém é frequentado pelos locais, pois fica um pouco longe do centro e não tem metrô perto. O jeito mais fácil de chegar lá é pegando um taxi ou uber.

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Descendo as escadas, o primeiro bar a direita tem um monte de cervejas artesanais e um bom hamburger. As IPAs chilenas merecem uma certa atenção!

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La Vega de Santiago

SANTIAGO (airport sucks) No nosso último dia de Chile fomos convidados a experimentar a típica cozinha chilena. Nossos hosts, Juan e José, nos levaram a “La Vega”, um mercadão do outro lado do Rio Mapocho. De um lado da rua funciona o mercado de frutas e verduras e do outro um monte de pequenos restaurantes populares.

O lugar é bem diferente da Santiago que eu tinha conhecido até então. Parece mais um Paraguai, ou melhor, uma Cidade del Lest na fronteira com o Brasil. Em outras palavras, uma zona total. Gente e sujeira pra cacete. Realmente não parece a Santiago da Providencia e Las Condes. Não estou falando que não vale a pena visitar, pelo contrário. Estou dizendo que é bem diferente e por isso vale a visita.

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Segundo o Juan, nosso host Chileno da gema, La Vega é o real mercado já que o Mercado Central virou um lugar totalmente turístico. Em suas palavras, “The Mercado Central is a tourist trap while La Vega is the real deal!”

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Nos embrenhamos por dentro das pequenas ruelas dentro do mercado até chegar ao pequeno e acanhado restaurante. Espremidos numa pequena mesa, Laurent, meu colega Francês, tirava foto de tudo e parecia maravilhado com aquela visão de terceiro mundo. “ça c’est le vrai Chili!!”

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Se você quiser diversas opções de pratos a preços realmente camaradas, esse é o lugar. E se você pedir qualquer coisa “a lo pobre”, pode ter certeza que vem muita comida (com ovos e batata frita). Eu fui de costela a lo pobre. Esse prato com uma cerveja saiu por cerca de US$4. Uma boa pedida, não?

O Povo na Rua

SANTIAGO (não foi dessa vez) Hora de arrumar as malas pois amanhã é dia de aeroporto. E em se tratando de último dia, tínhamos combinado um almoço num restaurante tipico perto do mercado. Nada fancy, restaurante hard-core, segundo o pessoal daqui.

Mas não foi dessa vez. Encontramos uma manifestação pelo caminho. Certamente vai ser notícia no Brasil pois a coisa parece que não acabou bem. Na volta do almoço, tivemos que dar uma volta e ainda sentir os efeitos do gas lacrimogêneo nos nossos olhos. O caminhão do exército tinha acabado de dispersar a multidão, que segundo o jornal somava cerca de 150 mil manifestantes.

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A povo aqui, já não é de hoje, está reivindicando universidade pública gratuita. Diferentemente do Brasil, aqui a universidade pública é paga e custa caro. Para se ter uma ideia, o preço de um curso de engenharia na Universidade do Chile (pública) é o mesmo da PUC-Chile, cerca de US$ 10000 por ano.

Manifestacao Chile

Foto: Latercera.cl

Para lidar com o custo, existem programas de crédito estudantil que acabam resultando em endividamento dos jovens. Operados por bancos privados com altas taxas de juros, as dívidas são um dos estopins dos protestos.

 

Último Colocado

SANTIAGO (mission accomplished) Nesse último fim de semana aconteceu a Maratona de Santiago. Várias pessoas me perguntaram por que eu não ia correr, já que estava em Santiago. Como se correr uma maratona fosse chegar e correr. Se não treinar, não dá. Pelo menos era o que eu imaginava.

Mas vendo o jornal de hoje mudei de mudei de idea. Dá pra correr. E ainda dá pra sair na capa do jornal. Basta fazer a prova em mais de 6h e chegar em último.

maratonaPelo menos a mulher dele estava esperando na linha de chegada. Deve ter dito, que papelão hein !!

Ceviche Peruano

SANTIAGO (half way) Toda cidade mais desenvolvida com um pouco mais de estrutura e oportunidades acaba sempre atraindo um monte de imigrantes. E isso não é diferente aqui em Santiago. Uma cultura que estou tendo oportunidade de conhecer um pouco mais aqui é a Peruana.

Todo imigrante traz consigo uma porção de coisas boas mas também coisas que deveriam deixar em seus países de origem, mas isso nem sempre acontece. Mas vamos falar das coisas boas. E isso começa pela cozinha. Logo nos primeiros dias, José, o Peruano, me disse que eu tinha que provar a comida do seu país.  Senti que ele ficou um pouco indignado quando eu disse que não conhecia a culinária Peruana. Depois de provar entendi a sua indignação.

Enfim, me levaram num restaurante, que segundo ele, é um dos melhores em Santiago. O restaurante se chama El Aji Seco e certamente não é um lugar que eu entraria como turista. Não pelo restaurante, mas sim pela localização.

el aji seco

E essa é a vantagem de estar com o locais. Você tem a chance de conhecer lugares que os turistas comuns jamais vão encontrar. O restaurante é simples mas a comida é deliciosa. Provei o famoso Ceviche e pensei, merda como não comi isso antes!

O ceviche é o prato mais tradicional do Peru. Pelo que eu entendi, se você pedir para um Peruano descrever seu país em poucas palavras, ceviche vai ser uma delas.

Basicamente é peixe cru que fica no limão por alguns segundos e leva pimenta, cebola e coentro. Provei um combinado com três molhos diferentes. Simplesmente sensacional.

ceviche

 

Café em Santiago

SANTIAGO (with legs) Hoje fui almoçar com o pessoal daqui num bar/restaurante chamado The Clinic. Hoje vamos em um lugar legal, me disseram. Talvez pra compensar o bandejão de ontem.

The Clinic é o nome do local onde Pinochet foi preso em Londres e como se pode imaginar, o ex-ditator é a personalidade mais “homenageada” nas paredes do bar.

the clinic

O restaurante é bacana e o ambiente bem agradável. Por se tratar de um lugar turístico, o preço é um pouco acima da média, mas nada absurdo.

the clinic

Café? Pergunta clássica depois de um almoço.

Claro! Minha resposta default pra esse tipo de pergunta.

Ok, vamos te mostrar nosso tradicional “Café com Piernas”. Caminhamos e logo estávamos no Café Angels. What the fuck! Foi  o que eu disse para o Juan assim que entrei no lugar.

cafe angels

Eu não tirei nenhuma foto pois fiquei meio sem jeito de pedir para fotografar. Mas encontrei essa abaixo na internet que explica bem as “piernas” do café.

cafe com piernas

Me explicaram que existem 300 casas como esta em Santiago. E um novo café só pode ser aberto se um fechar. O preço do café é o mesmo dos lugares “tradicionais” mas em geral os clientes deixar gorjetas generosas para as moças. Também, pudera.

Se te oferecerem um café me Santiago, pense bem antes de recusar.

Montanha Acima

SANTIAGO (powered by Malbec) Pra fugir um pouco do calor de Santiago resolvemos subir os Andes. Fomos até o Valle Nevado, a famosa estação de ski Chilena. No verão a estação é aberta para diversos esportes outdoor, como por exemplo, trekking e mountain biking. Quem quiser cavalgar, também pode. Os caras alugam os cavalos.

O trajeto de Santiago até o Valle Nevado é muito bonito e igualmente sinuoso. São pouco mais de 70km e 2500m de subida. Lá em cima a altitude é de 3000m e a temperatura estava casa dos 10C (com uma sensação térmica bem baixa em função do vento).

Enquanto a Marisa vasculhava a lojinha da estação eu parti com a Isabela para um pequeno trekking. Subimos por uma das pistas de ski sempre acompanhados por alguns grandes pássaros. Uma placa informava que por alí existem cerca de 600 espécies de pássaros.

Depois de subir até uns 3150m a Isabela reclamou que estava cansada e com alguma dificuldade de respirar. Paramos para recuperar o fôlego e voltamos morro abaixo. O mané aqui as vezes esquece que a baixinha tem apenas 8 anos!

Chegando na lojinha, descobrimos que lift do ski estava funcionado e que poderíamos subir até 3300m.

Subimos lá, tiramos algumas fotos, caminhamos um pouco e depois descemos para tomar um café bem quente para aquecer a alma, pois o vento estava congelante.

Certamente é um passeio que vale a pena, principalmente se você gosta de montanha e trekking. Da próxima vez eu trago minha bike pra descer os Andes pedalando!

Hoje o post foi inspirado por um bom Malbec indicado pelo rapaz da loja de vinho. Eu diria que ele tem bom gosto (GGGG)