A Conferência

VOLOS (done!) Essa é a primeira vez que participo do ICTAI (International Conference on Tools with Artificial Intelligence), a qual está em sua 30a. edição.  A organização escolheu a cidade de Volos, localizada a cerca de 400km ao norte de Atenas. Volos é uma cidade turística banhada pelo mar Egeu. A orla é recheada de bares e restaurantes. Uma grande marina tomada por veleiros dá um certo charme ao local.

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Trabalhos finalizados

Como pano de fundo, temos o monte Pelion (1624m), o qual oferece uma infinidade de alternativas para esportes Outdoor.

A conferência foi relativamente bem organizada.  Falharam em proporcionar uma rede Wi-Fi descente e seguir o programa proposto. Várias seções tiveram atrasos consideráveis e também vários no-show. É muito chato quando você está na conferência com a expectativa de ver um trabalho e não aparece ninguém para apresentar.

Nesse ano tivemos cinco trabalhos aceitos sendo que um deles, Fusion of Classifiers based on Centrality Measures, foi premiado com o Best Student Paper Award. 

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Best Student Paper Award

O prêmio foi apresentado no jantar da conferência, o qual aconteceu num restaurante no monte Pelion. O jantar estava muito bom e pudemos comemorar o prêmio com muito vinho Grego. 

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Volos a partir do Monte Pelion

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Atenas

Atenas (packing) Cheguei em Atenas por volta de 1:30am vindo de Frankfurt.  Como nesse horário não tinha nenhum transporte público disponível, tratei de arrumar um transfer para meu Airbnb. Um grego com cara de poucos amigos estava me esperando no aeroporto com uma plaquinha com meu nome. 

Cara esquisito, pensei. No meio do caminho ele perguntou se eu era Alemão, pois estava vindo de Frankfurt. Não, sou Brasileiro. Apenas fiz uma conexão na Alemanha, respondi. Aí o comportamento dele mudou da água pro vinho. Estendeu a mão para me cumprimentar e não parou mais de falar. Você tem que experimentar isso e aquilo, beber ouso (a cachaça deles), visitar o museu tal, etc, etc. Uma figura o Grego, que segundo ele, tem o sonho de visitar o Brasil. 

No dia seguinte fui bater perna em Atenas. O objetivo principal, claro, era conhecer a Acrópole e o restante das ruínas por perto. O caminho entre o apartamento e o pé do morro onde fica a Acrópole tinha cerca de 3km.  

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Basta andar algumas quadras para notar que a Grécia é muito mais parecida com o Brasil do que com a Europa. Esses três quilômetros são dominados por comércio ambulante e lojinhas de tudo que você possa imaginar. O trânsito é uma zona e assim como no Brasil a prioridade é dos caros. As pessoas são amáveis e dá pra se virar muito bem falando inglês.  

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Na Grécia, come-se bem e barato (comparado com o resto da Europa). A culinária deles é muito variada e farta em legumes. Um espetáculo. Já a oferta de vinhos e cerveja no supermercado deixa um pouco a desejar (também comparando com outros países da Europa)

Achei bem seguro caminhar pelas ruas da Grécia. Fui alertado pelos locais somente para ter cuidados com os batedores de carteira na zonas mais turísticas. Mas como disse o Grego do transfer, you are a Brazilian, you should be fine. 

Voltando aos pontos turísticos, pra quem estuda arquitetura acredito que a Acrópole, Parternon e cercanias sejam um prato cheio. A quantidade de turistas também impressiona. Afinal de contas, esse é o cartão postal de Atenas. 

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A região no pé do morro, conhecida como Plaka, é tomada por lojinhas de souvenirs e restaurantes. A famosa “Tourist trap”. Se você gosta desse tipo de coisa,  estará no paraíso, senão, no inferno. Nessa região, basta parar um pouco que alguém aparece para te oferecer perfume ou maconha.  Tudo produto de procedência 🙂  

Enfim, nesses dois dias e meio de Atenas deu pra conhecer um pouquinho da cidade e do povo Grego. Me disseram que as praias e ilhas gregas são fenomenais, mas terão que esperar um pouco. Próxima  parada será em Volos. 

Crash

CURITIBA (still hurts) Dia 25/9/18, saí as 6:30h para fazer um pedal de MTB com o grupo do Paulo (meu colega do departamento de Estatística da UFPR) pela região de Almirante Tamandaré e Campo Magro, pista de treino deles. Paulo conhece a região como ninguém e sempre que vou com eles acabo conhecendo uma trilha nova. Nesse dia não foi diferente, passamos por algums caminhos bem legais que eu não conhecia.

Tudo estava perfeito. Percurso legal, grupo bom pedalando forte, temperatura ideal, tempo bom, etc… Já no caminho de volta, numa estrada que já passei centenas de vezes, o grupo resolveu acelerar. Estava bonito de ver o pelote de uns 8 ou 9 ciclistas andando a mais de 40km/h no planão de Campo Magro. De repente, um ciclista tocou no guidão do Paulo e ele, talvez pela velocidade pois é um ciclista com muita experiência, foi pro chão. Eu vinha logo atrás e não consegui frear. Bati com a roda dianteira nas costelas dele e decolei. O pouso não foi dos mais suaves. Abaixo os dados gravados no GPS nos últimos 300m. O último dado de velocidade disponível marcava 52.2km, ou seja, estávamos rapidinhos.

Tentei me levantar mas não consegui. Não dava para movimentar meu braço. Na mesma hora pensei: será que o Chileno devolve o dinheiro da bike que eu já reservei e paguei? Eu tinha duas viagens de trabalho, as quais eu já tinha conseguido encaixar uns dias para pedalar. No Chile a ideia era subir o Vale Nevado. Vai ter que ficar para a próxima, pensei.

No pouso forçado cai em cima do ombro e foi nessa posição que ele foi parar. Além da luxação, uma pequena fratura para arrematar.

Um pouco fora do lugar

Graças a agilidade e camaradagem de todos do grupo, logo nosso socorro (Silva, esposa do Paulo) chegou. Ah, era aniversário do Paulo! Pelo menos foi poupado da bronca…

A ida para o hospital foi dolorosa. Fomos diretamente para a Clinica de Fraturas em Curitiba, mas descobri que não aceitavam meu seguro saúde do Bradesco. Tentei pagar a consulta pois estava segurando meu braço, literalmente. Por incrivel que pareça, só recebem em cheque e dinheiro. Nada de cartão de crédito.

Então decidimos ir para o Hospital Marcelino Champagnat. Lá aceitam Bradesco. Vale a pena mencionar que fomos muito bem atendidos. Logo que chegamos, os dois completamente ralados e com as lycras rasgadas, fomos levados diretamente para a emergência.

Descobri que tirar o ombro do lugar não doi. O que doi é colocar no lugar. Um segura de um lado enquanto outro puxa o braço deslocado com toda a força até você escutar um barulho assustador. Pronto! A dor, pelo memos pra mim, era insuportável. Comovido com o meu sofrimento o médico me deu uma dose de morfina. Aí fiquei bom!

No lugar

Passadas três semanas, ainda estou com o braço imobilizado (usando uma tipóia). Porém já consigo fazer algums movimentos bem curtos. Acho que já dá pra tentar o rolo, pensei. Você pode imaginar a cara feia da patroa. Bem, o tédio de três semanas de molho me encheu de coragem e lá fui eu.

Apoiar o peso somente não mão esquerda é foda. Como meu movimento ainda está bem limitado, não consigo alcançar o câmbio da speed. Fazendo força até dá, mas o sofrimento é grande e não quero abusar muito, pois em teoria tenho que ficar com o braço imobilizado até dia 22/10. O que conforta é que está chovendo pra cacete desde a minha queda!

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Dr. Fábio

CURITIBA (+1) Sexta-feira passada, dia 10/8/18 aconteceu a defesa de doutorado do meu aluno, Fabio Spanhol. Sua tese, Automatic Breast Cancer Classification From Histopathological Images: A Hybrid Approach, foi avaliada pela seguinte banca:

  • Prof. Dr. Alceu Souza Britto Jr (PUCPR)
  • Dr. Paulo Cavalin (IBM Research)
  • Prof. Dr. Lucas Ferrari (UFPR)
  • Prof. Dr. David Menotti (UFPR)
  • Prof. Dr. Luiz Eduardo S. Oliveira (UFPR)

O trabalho foi bastante elogiado pela banca, não somente pelas contribuições científicas mas também pelas contribuições sociais, especialmente pela base de dados construida durante o doutorado, a qual está disponível para toda a comunidade científica

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Hautacam

CURITIBA (day 6) Para fechar a viagem deixamos uma montanha perto de Argelès-Gazost uma vez que deveríamos nos deslocar até lá para devolver as bikes na Velo-Peloton. Desta forma, escolhemos o Hautacam, uma estação de ski localizada a 1520m de altitude. Saindo de Argelès, o ganho de elevação é de cerca de 1200m em pouco mais de 13km.

Pela primeira vez nessa viagem nos perdemos na saída. Eu tinha uma rota no meu GPS e o Pedro outra.   Logo na saída, encontramos uma rua bloqueada e tivemos que fazer um desvio. Eu estava olhando no meu GPS e não percebi que o Pedro e Oca tinham parado para procurar outro caminho. Quando percebi estava sozinho, mas a minha rota estava certa e a do Pedro errada. Esperei um bom tempo e nada deles. Achei que já tinham começado a subida e então resolvi subir. Na realidade eles pegaram a estrada errada e fizeram um bom trecho até entrar no começo da subida do Hautacam. Ou seja, subi sozinho.

Apesar da subida não ser tão longa, ela é bem dura. Tem dois trechos de cerca de 2km cada onde a inclinação não baixa dos 11%. Sem refresco! Alí o negócio é engatar a 34×32 e tentar manter a cadência na casa dos 70, o que não é fácil.

Ciclistas e mais ciclistas

Uma coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de ciclistas subindo a montanha.  Cada um no seu ritmo, mas todos com o mesmo objetivo. No alto da montanha era fácil de ver o pessoal reunido para a fotos. Como fiquei um tempão esperando meus colegas perdidos, deu tempo de escutar as piadas do pessoal. A lingua muda, mas a zoação é a mesma.

Grupão de amigos

Se você tiver sorte e paciência, poderá observar as águias que aparecem no alto do Hautacam. Foi o meu caso. Enquanto esperava o Pedro e Oca deu para comtemplar duas aguias sobrevoando as montanhas verdejantes dos Pirineus.

As famosas águias do Hautacam

E foi assim que acabamos nosso Tour nos Pirineus. Uma montanha dura, belissima, cheia de ciclistas, temperatura agradável e a certeza de que tem muita coisa a ser explorada nessa região espetacular da França.

Allez les Bleus!!

  • Resumo: 39km com 1240 de elevação
  • Relive

Hourquette d’Ancizan e Col d’Aspin

CURITIBA (day 5) Depois da conversa com o Francês da bikeshop (Aneto Sports), acabamos de vez com nosso dia de descanso e resolvemos fazer o loop do mapa abaixo. No dia anterior subimos o Col d’Aspin pela estrada a esquerda do vilarejo de Payolle e descemos pelo mesmo lugar. Seguindo a dica dos locais, pegamos o lado direito em Payolle para subir até o Hourquete d’Ancizan, descer até a cidade de Arreau, subir o Aspin pelo outro lado para então descer até Bagnères-de-Bigorre.

Loop Hourquette d’Ancizan e Col d’Aspin

O dia amanheceu seco mas com uma forte neblina. Nada que nos impedisse de pedalar. Ao invés de sair pedalando de casa, resolvemos economizar um pouco de pernas e fomos de carro até Payolle. Assim economizamos uns 20km com cerca de 500m de altimetria.

Neblina!

A forte neblina nos acompanhou até o cume do Hourquette d’Ancizan. A estrada que leva ao cume é bem estreita mas com asfalto perfeito. Nada de burracos, apenas bosta de vaca de vez em quando. Carros? Acho que cruzamos com uns dois carros durante toda subida.

Subida para o Hourquette d’Ancizan

Pouco antes se chegar no cume da montanha (1564m), a estrada desce um pouco para então voltar a subir. Com a neblina que estava a descida deu uma gelada na alma.

Pequeno vale no meio da montanha

Chegando no cume

O mapa no início deste post mostra que os dois colos (Aspin e Ancizan) estão na crista da mesma montanha. Alias, Horquette quer dizer Col no vocabulário Gascon (povo que habitava essa região há muito tempo atrás). Ou seja, também dá pra chamar de Col d’Ancizan.

Horquette d’Ancizan

A descida até Arreau é bem bacana, mas a estrada estreita com quase nenhuma visibilidade nas curvas exige uma certa cautela. Não cruzamos com nenhum carro na descida, mas vai que…. Antes de passar em Arreau e começar a subida, paramos para algumas fotos no vilarejo de Ancizan, o qual poderia ser facilmente usado como cenário para o Games of Thornes.

Ancizan

E não poderia faltar uma forte

Saindo de Arreau a subida do Aspin é um pouco mais longa e mais dificil do que o outro lado. São cerca de 12km com um ganho de altimetria de 740m, e diferentemente do outro lado, nesse trecho  você consegue ver a estrada no alto da montanha. As vezes isso é um pouco desaminador, principalmente quando você enxerga um pontinho branco lá em cima que passou por você algum tempo atrás. Caralho, falta muita subida ainda! É o que vinha na minha cabeça.

Carros sobem rápido!

Passamos reto na figurinha repitida do Col d’Aspin e descemos até Payolle. O Pedro pegou nossa Van ali e eu e o Oca descemos até Bagnères-de-Bigorre pedalando, afinal de contas era só descida. Antes fizemos uma pequena parada na fonte de Sainte-Marie-de-Campan onde um simpático Francês me deu mais um punhado de dicas. Todas anotadas com carinho para a próxima vez, pois só tinhamos mais um dia de pedal e esse estava reservado para o Hautacam.

E com essa subida do Col d’Aspin nós fizemos uma boa parte da etapa 19 do TDF desse ano. Dia 27/7/18, sexta-feira, é dia de relembrar essas estradas na tela da ESPN.

Perfil da Etapa 19 do TDF 2018.

  • Resumo: 61km com 1326m de altimetria.
  • Relive

Col d’Aspin

CURITIBA (day 4) Nosso quarto dia era para ser um dia de descanso. No começo da semana a previsão do tempo indicava tempo ruim, porém, não foi o que aconteceu. Muito pelo contrario, céu azul e temperatura agradável. Resolvemos então fazer a montanha mais fácil do roteiro no dia de “descanso”, o Col d’Aspin. Fazendo minhas pesquisas sobre as montanhas da região eu li em alguma parte que o Aspin, não é o maior, nem o mais duro, e nem a subida mais longa, porem, é mandatório. O Col d’Aspin é uma montanha categoria 1 já foi utilizada no TDF mais de 70 vezes.

Inicio da subida

Saindo de Sainte-Marie-de-Campan, o mesmo ponto de encontro para o Col du Tourmalet, a subida do Aspin tem 12.8km de extensão com um ganho de elevação de 650m. O cume está a1490m acima do nível do mar. Como saímos de Bagnères-de-Bigorre, fizemos cerca de 25km com 920m de altimetria. A subida é tranquila, quando comparada as montanhas dos dias anteriores. Me lembrou bastante a subida do Col du Telegragh nos Alpes, principalmente pelas curvas fechadas e a floresta de pinus.

Subida do Col d’Aspin. Faixas recém pintadas no asfalto para o TDF 2018.

Nesse dia o cume da montanha tinha vários ciclistas, mas estava dominado pelas vacas. Os mais desatentos levavam uma lambida das vaquinhas procurando por um salzinho.

Vacas do Aspin

Depois de algum tempo no alto da montanha, alguns ciclistas começaram a descer para o outro lado (sentido Arreau). De onde estávamos dava para ver a bela e sinuosa estrada. Até cogitamos em descer até Arreau e voltar mas a razão falou mais alto e voltamos pra casa. Afinal era dia de descanso.

Vista para o outro lado do Aspin

Antes de chegar em casa, paramos numa bike shop para dar uma olhada nas novidades. Bicicletas elétricas por todas as partes. MTB e speed com baterias e motores em diferentes formatos. Parece ser tendência.

Depois de algum tempo perambulando pela loja o vendedor veio puxar papo. Depois de contar um pouco o que tínhamos feito e o que pretendíamos fazer ele me disse que deveríamos fazer a estrada paralela ao Col d’Aspin, conhecida como Hourquette d’Ancizan.  Essa é a nossa estrada predileta disse o jovem Francês.

No dia seguinte seguimos a dica do Francês e de quebra fizemos o outro lado do Col d’Aspin.

  • Resumo: 49km e 921m de altimetria
  • Relive