New Toy

CURITIBA (como chove!) Depois de mais de quatro anos e quase 40000km andando com uma road bike endurance, a minha Giant Defy, resolvi passar para uma bike um pouco mais agressiva. Após de uma extensa pesquisa, estava quase decidido pela Canyon Ultimate. Aí fiquei sabendo de uma promoção da Bike24 na linha 2017 da BMC. A marca Suíça era meu sonho de consumo, mas o preço não ajudava. Quando ví o preço promocional, não hesitei. Como eu tinha umas férias programadas para Janeiro/18 na Alemanha, comprei a bike no site da Bike24 e mandei entregar na casa do meu amigo em Berlim.

Eles entregaram a bike montada numa caixa gigante que passava das dimensões permitidas por qualquer companhia aérea. Para resolver o problema acabei comprando um mala bike da ChainReaction por EUR 60. Fiquei meio apreensivo por não se tratar de um mala bike rígido, mas os mais de 100 comentários no site da CRC meu deram um pouco mais de segurança. Depois de quatro conexões a bike chegou inteira em Curitiba.

Esse foi o modelo escolhido, uma Team Machine SLR02. Ela vem com um grupo Shimano Ultegra, selim Fizik Arione R7, kit BMC (com canote de carbono), rodas Shimano RS21 e pneus continental 23mm. Todos os reviews que eu li antes de comprar essa bicicleta concordam em dois aspectos: i) a bike é muito rápida com excelente rigidez e ii) as rodas poderiam ser melhores. Não que sejam ruins, mas poderiam ser melhores.

Comparando as duas geometrias, dá pra notar que são duas propostas bem diferentes. A Giant (quadro L=58) tem Reach e Stack de 390 e 605 enquanto a BMC (quadro 60) mede 405 e 601. Ou seja, a Defy é mais curta e mais alta do que a SLR02 o que proporciona uma posição mais confortável para pedais longos. Apesar da posição mais agressiva da BMC achei a bike bem confortável nos dois primeiros pedais de 50 e 80km. Talvez um pequeno ajuste aqui ou ali. Veremos.

Strava Festive 500 (2017)

CURITIBA(wet) Revendo meus posts dos anos anteriores, parece que nos anos impares chove e faz frio na última semana do ano. Foi assim em 2015. Já nos anos pares faz calor (ok, minha amostragem não é relevante…).  Pois bem, o tempo esse ano está uma bosta. Chuva, frio e vento. Então para deixar registrado para comparações futuras, aqui segue o registro.

  • Dia 1: Palmitalzinho
  • Dia 24/12/17
  • 100km, 869 de subidas acumuladas
  • Luiz, Felipe, Renato, Laurindo
  • Percurso: Strava, Relive

Começamos nós quatro com um tempo feio e um vento infernal. Logo de cara engatamos num pelote na BR277 (com vento a favor). A alegria durou pouco pois logo depois entramos no contorno com vento lateral. Laurindo desistiu e voltou e o Renato encurtou o pedal dele. No fim ficamos somente eu e Felipe. A volta com vento contra foi bem sofrida (mesmo na roda do Felipe). Nem foto lembrei de tirar!

  • Dia 2: Dom Pedro
  • Dia 26/12/17
  • 110km, 1039m de subidas acumuladas
  • Luiz, Fabrício, Renato, André
  • Percurso: Strava, Relive

O segundo pedal tinha previsão de chuva mas felizmente pegamos asfalto molhado só no começo. Um pouco frio pra dezembro, com 15C no início do pedal. A ideia era ir até o mirante da Graciosa, mas quando chegamos no portal da Dom Pedro o tempo estava bem feio. Imaginamos que o pastel do mirante estaria fechado por isso resolvemos comer o pastel no outro boteco (sentido BR116) A volta foi tranquila, sem vento e até a temperatura aumentou. Mas não vimos o sol.

Luiz, André, Renato e Fabricio (lembrando do Felipe que ficou trabalhando.)

  • Dia 3: Balsa Nova (fail)
  • Dia 27/12/17
  • 83km, 955m de subidas acumuladas
  • Luiz (solo)
  • Percurso: Strava, Relive

Acordei cedo e adivinhe? Chuva que não parava. Abortamos e fui ler uns artigos que estavam na fila. O tempo melhorou um pouco e por volta do meio-dia resolvi ir até Balsa Nova via estrada do Bugre. Não consegui chegar no destino final. Faltando uns 10km para Balsa Nova utilizei minha segunda câmara reserva. E como onde eu estava não tinha sinal de celular, resolvi voltar. Vai que preciso chamar um Uber! E quase precisei. Chegando no parque Barigui, onde estava meu carro, um terceiro furo. Acabei o pedal empurrando a bike.

Caixa do ciclista no Jusita em Campo Largo. Não tinha câmara reserva pra speed, só uma de MTB

  • Dia 4: BR 277 +  Contorno  + Barigui
  • Dia 28/12/17
  • 82.7km (+ 10km MTB), 533m de subidas acumuladas
  • Luiz, Isabela
  • Percurso: Strava, Relive

Dia amanheceu nublado, porém seco. Como tinha prometido pra Isabela que faríamos alguns quilômetros no parque, sai cedinho com a ideia de fazer uns 100km. Mas chegando perto do Pedágio da BR277 a pista estava bem molhada. Como não estava a fim de limpar a bike novavemente, resolvi fazer a volta no viaduto de Borda do Campo e ir até a entrada da estrada Dom Pedro pelo contorno. Pedalzinho tranquilo, sem vento e sem futors!! Pra fechar o dia, acumulei mais 10km no parque com a Isabela.

  • Dia 5: Balsa Nova + Cerne
  • Dia 30/12/2017
  • 116km, 1358m de subidas acumuladas
  • Luiz, Renato
  • Percurso: Strava, Relive

Sexta-feira (29/12) choveu praticamente o dia inteiro. Eu tinha planejado fazer dois pedais mais curtos na sexta e sábado, mas em função da chuva resolvi completar o desafio no sábado. Isso não me livrou da chuva, porém. Saímos eu e o Renato do Barigui inundado por volta das 7:30h sentido Balsa Nova. A rotina de pneus furados continuou, mas dessa vez com o Renato. Dois furos, um atrás do outro. Pneus consertados, seguimos até Balsa  Nova para o tradicional cafézinho.

Mais um furo na volta, agora meu, e seguimos pra casa via estrada do cerne. Pegamos garoa, frio, neblina, chuva e sol no fim. Tipico dia Curitibano pra fechar o desafio.

Estrada do Brugre (com sol é mais bonita)

Comparado com o ano passado, esse ano os roteriros foram mais pobres em função do clima de merda (sem litoral e Graciosa). Mas era o que tinha pra 2017. Ano que vem tem mais. Feliz 2018!!

 

 

Trabalho Reconhecido

CURITIBA (46) Semana passada recebi a noticia de que recebi um premio da IBM, o 2017 IBM Faculty Award. É o reconhecimento da minha pesquisa ao longo desses anos e também da colaboração com meu colega, Dr. Paulo Cavalin, da IBM Research. Uma bela maneira de encerrar as atividades de pesquisa desse ano que foi bem produtivo.

Dr. Paulo

CURITIBA (+1) Ontem aconteceu a defesa de doutorado do meu aluno Paulo Ricardo Lisboa de Almeira. Paulo fez seu mestrado no DINF/UFPR sob a minha orientação e agora finalizou seu doutorado. A tese “ADAPTING THE DYNAMIC SELECTION OF CLASSIFIERS APPROACH FOR CONCEPT DRIFT SCENARIOS” foi avaliada e aprovada pela banca examinadora, a qual foi composta pelose seguintes especialistas em seleção dinâmica de classificadores

  • Prof. Dr. George Cavalcanti (UFPE)
  • Dr. Paulo Cavalin (IBM Research)
  • Dr. Rafael M. O. Cruz (ETS/Canada)
  • Prof. Dr. Robert Sabourin (ETS/Canada)
  • Prof. Dr. Daniel Weingaertner (DINF, UFPR)
  • Prof. Dr. Luiz Eduardo S. Oliveira (DINF, UFPR)

IBM Colloquium 2017

SÃO PAULO (talking) Fui convidado para um evento da IBM Research para discutir o panorama de pesquisa e aplicações de inteligência artificial desenvolvidas no Brasil. O evento foi bem interessante com diversas apresentações e demos nas área de visão computacional, processamento de linguagem natural e robótica. O pessoal da IBM expôs uma série de produtos que eles estão desenvolvendo nos seus laboratórios de pesquisa no Brasil. Uma coisa bem interessante é o que eles chamaram de chip neuromórfico o qual tem a capacidade de executar redes neurais convolucionais em dispositivos móveis com um custo energético bastante baixo.  Isso permite a aplicação prática de técnicas de deep learning em diferentes contextos. Vamos ver como a coisa evolui.

Me pediram pra falar de um tema específico que ainda gera muita controvérsia: Ciência Reprodutível na computação. Os slides da minha apresentação estão aqui. Bem interessante discutir esse tema, principalmente porque todo muito concorda que é importante mas pouca gente implementa na prática.

 

Col du Telegraph + Col du Galibier

LYON (time is on my side) Para nosso último dia de pedal guardamos o famoso Col du Galibier (2642m). O percurso clássico do Col do Galibier (face norte) sai da cidade de Valloire (1397m) mas como esse era o último pedal resolvemos esticar o percurso e fazer dois “Cols”, o Telegraph e o Galibier. Alias, esses dois fazem parte da 17a. etapa do Tour de France desse ano.  Mas como se esses dois não fossem suficientes, colocaram na mesma etapa mais dois, o Ornon o Croix de Fer. Esse último é o mesmo trajeto que fizemos saindo da represa de Allemont.

17a. etapa do Tour de France de 2017.

Diferentemente do dia de céu azul que pegamos no Mont Ventoux, a previsão era de dia nublado. Saímos de Saint-Jean de Maurienne (740m) por volta das 10:30h sentido Col du Telegraph com 25C e sol entre nuvens. Conforme fomos subido a bela estradinha que liga a cidade ao Col du Telegraph (1566m) a temperatura foi caindo e o tempo fechou um pouco.

Quando chegamos no Telegraph o Lyra resolveu abortar o Galibier. Ele estava um pouco receoso com o clima fechado e com o frio. No Telegraph já fazia 11C.

Sobe, não sobe. Tem certeza?

Descemos juntos até Valloire e dali pra frente seguimos eu e o Oca. O Lyra voltou para Saint-Jean de Maurienne para pegar o carro e pela primeira vez fizemos um pedal com carro de apoio. Muito bom, diga-se de passagem. Devemos considerar para a próxima vez.

Os primeiros quilômetros saindo de Valloire são relativamente planos e a estrada é margeada por uma corredeira que desce dos Alpes. Nessa época do ano em que grande parte da neve ja derreteu, o rio está bem estreito. A magnitude das montanhas e a visão da estrada se perdendo no horizonte fazem esquecer o que vem pela frente.

Quando você começa a avistar as calotas de gelo encravadas nas montanhas a coisa começa a ficar séria. A temperatura cai conforme você sobe e a inclinação não baixa dos 10%. Apesar da temperatura baixa, eu subi quase todo o trajeto com uma segunda pele e a camisa. Coloquei o corta vento no último km. A luva sem dedo, definitivamente não foi a escolha acertada.

Assim que cheguei no topo da montanha a temperatura era de 1C e começou a cair uma chuvinha leve que logo virou neve. Encontrei um ciclista que veio do lado sul, tiramos uma foto um do outro e tratamos de descer logo. Minhas mãos estavam congeladas.

Desci até o primeiro refúgio (cerca de 1km do pico) pra esperar o carro de apoio. Enquanto esperava com um café bem quente a neve apertava. Um tempo depois o Lyra chegou com o Oca (capturado perto do topo). Mais um tempo depois, quando a neve deu uma trégua resolvi descer a montanha. Peguei a jaqueta, luvas e manta térmica do Oca e despenquei Galibier abaixo. Freio a disco aprovado novamente!

Desci uns 10km com bastante frio e asfalto bem molhado. Quando o asfalto secou (perto dos 1500m de altitude), voltei a pedalar forte na descida pra aquecer o corpo e logo tive que parar para tirar um pouco de roupa. Continuei pedalando forte pra chegar na frente do carro de apoio, mas pertinho de Bourg d’Oisans (750m) (onde devolvemos as bikes) o carro me alcançou. Pra resumir tudo, pedal ÉPICO!!

Como é que eu ia perder quase 50km de descidas nos Alpes Franceses, em estradas magnificas, e sem nenhum caminhão do meu lado? Não ia ser uma nevezinha que ia me parar!

 

Mont Ventoux

LYON (chá de cadeira no aeroporto) Depois de dois pedais tiramos o terceiro dia de folga e aproveitamos pra descansar as pernas fazendo um pouco de turismo em Grenoble.  Esse era o planejamento inicial de qualquer forma, ou seja, dois pedais – descanso – dois pedais. Acho que acertamos na formula.

Depois de acompanhar a previsão do tempo atentivamente, encontramos uma janela de tempo bom em Bedoin (uma das cidades base para o Ventoux) na sexta-feira. Bedoin fica cerca de 230km de Grenoble. Uma opção seria pegar um hotel la por perto. Mas como as condições do tempo mudam rapidamente (principalmente o vento), resolvemos fazer um bate-e-volta para ter mais flexibilidade na escolha. Decisão acertada. O dia estava maravilhoso e a temperatura agradável para encarar o místico Gigante da Provence. Do pé da montanha já era possível avistar o cume.

Lyra apontado o cume. Pensa numa criança feliz!

Começamos nossa escalada por volta das 11h com 22C de temperatura.  Até o topo da montanha (1912m) são 21.4km com um ganho de elevação de 1639m (o maior de todos que fizemos). Em alguns trechos o gradiente bate nos 12%. São 21km de subida constante. Parou de pedalar, cai da bike.

A primeira parte do trajeto fica dentro de uma floresta. Nesse pedaço você fica um pouco mais protegido do vento e do sol. Por outro a inclinação não baixa do 9%.

Faltando uns 6km para o fim o visual muda completamente. A vegetação dá lugar a uma paisagem lunar e a inclinação não diminuir. No último km fica mais difícil. Talvez o km mais longo que eu já fiz. Minha estratégia foi mirar no ciclista da minha frente, passar dizendo um “bonjour” (como se estivesse fácil) e assim por diante.  A antena em vermelho e branco também é um alvo constante.

Assim como no Alpe d’Huez, a quantidade de ciclistas impressiona. A maioria do pessoal sobe de speed, mas você vê de tudo. MTB, Tandem, Bike puxando carretinha com criança e os idosos em suas bikes elétricas. Esses sim me passando dizendo “bonjour” sem cara de sofrimento.

A vista de cima do cume é espetacular mas a sensação de estar lá em cima é indiscritível. Plagiando o Col Collective, “For words: You must do it”.

Não esqueça o corta vento. Vc vai precisar dele lá em cima e na descida.